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quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Brinquedo certo para as crianças...





Psicólogo criou uma técnica para ajudar a escolher um brinquedo que atraia a atenção das crianças e ainda ajude a educá-las.


Bola fora

Mesmo antes da árvore de natal ser desmontada, a criança começa a perder interesse no caro brinquedo eletrônico que ainda vai aparecer várias vezes na fatura do seu cartão de crédito.

Talvez você tenha até feito para si mesmo a promessa de que não repetiria esse erro novamente "no ano que vem" - que, não por acaso, é "este ano".

Então, como escolher brinquedos que a criança tenha interesse em manter consigo?

Compre com objetivos claros

Em época de muitos gastos, dar um presente não precisa necessariamente envolver ir às compras de bugigangas de alta tecnologia e altos preços.

Antes de sair, considere a idade, os interesses e a aptidão da criança, e reflita sobre o que lhe traz um sorriso e a leva a passar horas brincando.

"A maioria das pessoas já experimentou o desgosto comprar um presente que não agradou. Muitas vezes, é porque o item é estruturado demais. Quando um brinquedo tem uma função muito limitada ele não consegue manter o interesse de uma criança. Para ajudar a evitar isso, pergunte a si mesmo, 'o que a criança pode fazer com isso?', orienta o psicólogo Dale Grubb, da Universidade Wallace Baldwin (EUA).

Roteiro para comprar um presente

Estudando o assunto, Grub desenvolveu um roteiro para ajudar a escolher um presente que não apenas agrade a criança, mas também auxilie em seu desenvolvimento.

Ao comprar um presente para uma criança, escolha um que:

Desenvolva habilidades físicas ou intelectuais
Divirta
Estimule a imaginação
Ensine socialização e a jogar em equipe
Criatividade + variedade + estratégia = Diversão

"A variedade é também uma consideração importante", continua o psicólogo. "Embora comprar um presente que esteja fora dos interesses demonstrados pela criança gere um risco de 'presente errado', o mesmo acontece ao comprar outro conjunto de lápis de cor para o artista em crescimento ou outra bola para o aspirante a craque."

Edwin Meyer, outro psicólogo da mesma universidade, também incentiva a compra de presentes que exijam criatividade e estratégia: "Qualquer jogo ou brinquedo onde você vê uma criança sentada tentando descobrir a melhor jogada é uma boa opção."

Ele também apoia a compra de instrumentos para práticas artísticas: "Crayons, tintas, massa de modelar, entre outros materiais, oferecem maravilhosas oportunidades de aprendizagem e ajudam a desenvolver habilidades manuais."

Participar das brincadeiras

Segundo Grubb, quem dá um presente não pode pressupor que o seu papel está completo assim que o papel do embrulho é rasgado.

"É importante para uma criança estar em um ambiente onde a criatividade e o aprendizado são valorizados. Pais, familiares, amigos e cuidadores têm de participar também."

Ele afirma que se envolver com as brincadeiras da criança diz a ela que a criatividade e o aprendizado são importantes, encorajando a socialização e fortalecendo as ligações afetivas.

Mas ele se apressa em advertir que os adultos não devem se tornar excessivamente zelosos na coordenação das atividades.

"Certifique-se de que a criança está dirigindo a brincadeira," recomenda ele. "Quando você brinca de casinha com uma criança, deve permitir que a criança dirija o jogo criativo em qualquer direção. Simplesmente siga com a brincadeira, mesmo que isso signifique passar um tempo espremido dentro de uma caixa que serve de casinha," conclui ele.

Diário de Saúde.


Links com assuntos parecidos.


http://www.estimulando.com.br/brinquedos.htm
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http://www.techtudo.com.br/tudo-sobre/s/arrumando-o-quarto.html

http://g1.globo.com/minas-gerais/triangulo-mineiro/noticia/2012/10/fiscal-do-inmetro-em-mg-alerta-para-compra-do-brinquedo-correto.html


quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Brincadeiras na infância ajudam a modelar vida adulta







Funções das brincadeiras

Poderia a brincadeira de pega-pega ser o ingrediente necessário para a formação de futuros vencedores dos 100m rasos? Ou o conhecido "brincar de casinha" ser uma máquina de formação de futuras donas de casa e pais de família?

A resposta é que isso acontece naturalmente.

Como explica a pesquisadora Ilka Bichara, professora do Instituto de Psicologia da UFBA (Universidade Federal da Bahia), que estuda o tema desde 1990, brincadeiras na infância deixam uma herança para a vida adulta.

"Durante muito tempo se acreditou, na psicologia, que a principal função da brincadeira seria a de treino para as habilidades futuras", lembra.

Contudo, segundo Ilka, essa crença e as teorias que a fundamentavam foram revistas, e a pesquisadora ressalta que atualmente acredita-se que o indivíduo não tem fases indissociadas na vida - todas as vivências de uma pessoa seriam, portanto, partes de um processo de formação e desenvolvimento, funcionando assim como esse "treino".

"Nas brincadeiras, há negociação, exercício de habilidades sociais complexas, formação de valores e conceitos, como também há emoção", explica.

Para a professora, as brincadeiras são vividas, e essas vivências tornam-se parte do indivíduo.

Como resultado, em brincadeiras, a criança traria essas suas experiências para uma nova interação com outras crianças, da mesma maneira que um adulto o faz.

"A criança não é um ser passivo que vai apenas reproduzindo aquilo que vê, pelo contrário, ela é um ser ativo, que reinterpreta e recria a realidade em suas brincadeiras e, com isso, cria cultura", afirma Ilka.







Faz-de-conta
Não seria de surpreender se os adultos com maior criatividade fossem aqueles que mais brincaram de "faz-de-conta", na infância.

Essas brincadeiras, segundo a pesquisadora, funcionam de maneira diferente da ideia que a maioria das pessoas tem, de que seria uma fuga da realidade.

Ilka reforça que é através do faz-de-conta que a criança tenta compreender a realidade a sua volta, assim como forma suas impressões e valores.

Segundo Ilka, o faz-de-conta pressupõe criatividade e ao mesmo tempo a estimula.

"A criança está sempre criando e recriando coisas. Todas as crianças brincam de faz-de-conta, porém os enredos, papéis, objetos, cenários, e diálogos variam conforme o contexto tanto físico quanto cultural", analisa.

Novos universos de brincadeiras

A pesquisadora Ilka Bichara lembra ainda que as brincadeiras no ambiente virtual não atrapalham o desenvolvimento das atividades da criança.

"As brincadeiras mudam, passam a ter outros conteúdos, mas continuam. Nós é que temos dificuldade em vê-las, porque são diferentes das que brincávamos em nossa infância", pondera.

Para Ilka, o ambiente virtual é um novo palco de brincadeiras, inclusive as de faz-de-conta. "Pais e educadores precisam ficar mais atentos a essa nova realidade", aconselha.

Brinquedos da nova era tecnológica, segundo a pesquisadora, não implicam, necessariamente, na limitação da criatividade infantil, especialmente se puderem ter usos diferentes para os quais foram inicialmente projetados. "Na verdade, o que limita a criatividade das crianças não é o objeto, mas as restrições dos adultos.
Diário de saúde
Thais Borges - UFBA